Engenharia Educacional: uma proposta de Educação de Alto Desempenho


O conceito de Engenharia Educacional nasce com W. W. Charters, em 1945, quando o autor reconhece a viabilidade de aplicação dos métodos e técnicas da engenharia aos processos educacionais. Considerando as potenciais críticas a serem apresentadas pelos profissionais da área de humanidades, confirmou Charters que a sistemática das atividades do engenheiro em planejamento, implantação e controle poderiam ser de valor para as tarefas educativas. E também os conhecimentos e métodos científicos basilares que sustentam as áreas de exatas podem, em muito, auxiliar o trabalho dos educadores. Segundo suas próprias palavras, "[...] educators are engineers of a special sort" (CHARTERS, W. W. Is there a field of educational engineering? Educational Research Bulletin, v. XXIV, n. 2, fev 1945). Também Richard C. Anderson, em 1961, considerou que a engenharia é a aplicação de princípios científicos em qualquer área do conhecimento. Assim, nada impede a concepção de uma engenharia educacional. E mais: Anderson defende o papel de um engenheiro educacional, a trabalhar nos sistemas escolares em geral.

Em suma, definiremos aqui a Engenharia Educacional como sendo a combinação das competências e habilidades da teoria e prática da engenharia com o embasamento teórico e prático da educação. O engenheiro educacional desenvolve materiais, métodos, técnicas, recursos e artefatos de ensino e de aprendizagem, emprega métodos quantitativos para a gestão de sistemas escolares, propõe o emprego de tecnologias analógicas e digitais de suporte ao processo pedagógico.

A partir desta conceituação, nosso modelo educativo se propõe a capacitar pessoas para a realização de seu potencial pleno, pelo desenvolvimento de processos a que chamamos de Educação de Alto Desempenho, e com base nas premissas e possibilidades da Engenharia Educacional, como definida acima. A partir do respeito profissional, do espírito de aprendizagem permanente e da realização pessoal, oferecemos uma "caixa de ferramentas" que permite o posicionamento das pessoas frente a um mundo do trabalho exigente e competitivo. É característica do nosso tempo, e precisamos estar preparados para isso.

Atendemos a uma audiência composta por qualquer interessado em se preparar para a realidade das exigências de competências efetivas e aplicáveis de ordem pessoal e profissional. Nosso público é composto, portanto, de alunos de cursos técnicos e de graduação, profissionais de qualquer área de atuação, gestores, profissionais em mudança de carreira ou em busca de nova oportunidade de trabalho, ou qualquer pessoa interessada no desenvolvimento de competências.

Nossa proposta de valor: auxiliar pessoas e profissionais em sua capacitação para a plena realização de competências pessoais e profissionais demandadas pela vida e pelo mundo do trabalho.


PREMISSAS

O nosso sistema parte das seguintes premissas fundamentais:

+ A educação escolar e formal não desenvolve muitas das principais competências exigidas em nossas atividades de vida. Seja a euducação básica, seja a educação superior. O conteúdo parece sempre mais importante do que a competência e seu respectivo emprego em condições reais. Isto faz parte de um debate secular, que nem precisamos aqui discutir. A inércia contra a mudança é forte e de difícil enfrentamento.
+ Parece-nos estranho esperar que alunos aprendam, quando não são formalmente preparados para entender o que é aprender, ou como a aprendizagem ocorre. Esperamos que saibam resolver problemas, mas não os ensinamos formalmente as técnicas de solução de problemas gerais. Ou cobramos memorização, sem que conheçam a arte de memorizar (D. A. Norman).
+ O desenvolvimento de competências de alto desempenho, nos níveis pessoal e profissional, é demanda do exigente momento em que vivemos, do ponto de vista de adequação às necessidades do mundo do trabalho e da vida pessoal. A gestão do nosso potencial ocorre por meio das competências, cuja aplicabilidade nos torna competentes, de fato, nos níveis cognitivo, técnico e afetivo/atitudinal.
+ Um ser humano competente, inteligente e realizador do próprio potencial estará pronto para criar valor para a vida e para a carreira. Entendemos por inteligência o raciocínio sobre o conhecimento (metacognição), a capacidade de criar, de resolver problemas adequadamente, de tomar decisões otimizadas, de utilizar modelos mentais representativos da realidade, de realizar inferências, de se adaptar a novas situações (transferência do conhecimento já construído), de trabalhar uma cognição de valor (padrões, imaginação, criatividade, inovação, modelagem, simulação, interpretação, julgamento, análise, síntese, entre outras possibilidades). A tudo isso chamamos Engenharia Educacional - a aplicação de conceitos d princípios científicos aos processos de vida e da profissão.
+ Last, but not least, acreditamos que o indicador maior de resultados da educação deva ser a competência desenvolvida e pronta para ser aplicada aos problemas da vida. Nada é mais importante do que isso, em termos de avaliação de aprendizagem.

A base conceitual dos nossos programas de capacitação é estabelecida em Mathew Lippman, John Dewey e Benjamin Bloom, para quem o processo educativo deve ser atividade de investigação de problemas do mundo real, e não a mera entrega de produtos finais e acabados de conteúdo e de conhecimento. Assim, o método científico e a descoberta devem gerar um pensamento independente, imaginativo, significativo e rico, cuja capacidade de raciocínio leva à previsão e à solução de problemas. O conhecimento se torna, então, produto acabado do processo de investigação: nenhuma asserção sem prova (ciência), nenhuma opinião sem justificativa, e nenhum julgamento sem critérios relevantes. Receitas de valor para o mundo contemporâneo, caracterizado por excesso de informação de baixa qualidade e pela carência de veracidade.

Imaginamos um profissional que seja um híbrido de filósofo/educador e engenheiro. Por ser um engenheiro também formado em educação, acredito que todos podem ser esse híbrido - meio filósofo/educador, meio engenheiro. Precisamos ser filósofos e educadores para não perder de vista a dimensão maior dos desafios da vida (o “por que” e o “para que” aprender), ou seja, aquilo que realmente pretendemos ser: seres humanos, cidadãos responsáveis, profissionais competentes - capazes de aprender em todos os momentos e durante toda a vida. Mas precisamos estar preocupados com as questões práticas do “como aprender”, e este deve ser nosso lado engenheiro. Eis, aqui, a junção do “logos” do filósofo/educador com a “techné” do engenheiro. Os práticos engenheiros podem trabalhar lado a lado com teóricos educadores e filósofos, em busca de um processo educativo e de desenvolvimento de competências adequado ao mundo contemporâneo, do século 21. Precisamos conhecer a natureza do conhecimento, da inteligência, da competência - como educadores-engenheiros. A isso tudo chamamos Engenharia Educacional.